Somos todos parceiros
Como eliminar a grande pobreza sem, primeiro e antes de mais, reconhecermos os que nela vivem como nossos parceiros, em pé de igualdade? Reconhecer-se como companheiro é comungar nos sofrimentos causados pela miséria, sofrimentos esses que se amplificam, aquando das grandes catástrofes como o Tsunami; é compreender a força e a grandeza de gestos do dia-a-dia, como por exemplo, o do Fábio que, passando pelo inferno da cana de açúcar, consegue, ao mesmo tempo, fazer viver a sua família e estudar, enfrentando para isso as piores dificuldades. Reconhecer-se como parceiro é engajar-se, comprometer-se, para que estes gestos considerados sem importância, insignificantes se tornem pedras angulares na construção de um mundo fraterno e justo.
"Continuamos, pois, a sentir-nos muito pequenos perante a imensidão da pobreza" constata humildemente a Gertrudes da República Democrática do Congo. "Acreditamos na capacidade dos pobres serem agentes de uma vida nova" afirmava o fundador da Organização São Vicente no Uruguai.
Por sua vez, o padre Joseph Wresinski, dirigindo-se aos voluntários permanentes de ATD Quarto Mundo, dizia-lhes: "... [Ser voluntário] não é apenas estar ao dispor dos mais pobres para sermos instruídos por eles (diga-se que, por vezes, nos ensinam coisas espantosas)... Isso quer dizer que fizemos dos pobres os nossos irmãos e irmãs. Os seus filhos são nossos filhos."
É aqui que se situa a diferença entre o aliviar a pobreza e o construir as nossas sociedades a partir dos que delas estão excluídos.
Huguette Redegeld Vice-presidente
***
Vivíamos há bastante tempo em condições muito desfavoráveis. A fome batia-nos à porta todos os anos. Em 1998, pus-me a pensar e fundei um agrupamento chamado “ELAVAGNON”.
Mas, antes disso, eu tinha reunido as mulheres para lhes falar da situação em que vivíamos. Elas estavam de acordo comigo e então fui introduzindo no grupo alguns homens. Lancei-lhes o tema: "Que fazer para escapar à miséria?" porque, quanto a mim, desejava que nos uníssemos para cultivarmos a terra e para produzirmos. E, logo que conseguíssemos um certo rendimento, ficaríamos com uma parte para consumo próprio e venderíamos o resto para depositarmos dinheiro numa conta. Isso permitiria que pudéssemos fazer face a outras preocupações como a confecção de tecidos para uniformes, as doenças, os acidentes e, sobretudo, a inscrição das crianças na escola, o pagamento da cantina e a compra de material escolar.
Foi assim que nos organizámos.
Durante as férias, preparamo-nos para a chegada dos turistas; não é difícil vendermos o que produzimos, porque a população vem ter connosco para se fornecer. Antes disso, as pessoas não se interessavam pelos nossos produtos, mas agora, até ficam impressionadas.
E pronto, já têm uma ideia do que fazemos.
Félicien L., Agrupamento Elavagnon, Benim
***
A Pauline conseguiu obter a aprovação para a realização de um dossiê que tinha sido entregue em 2001 no ministério da Educação Nacional, onde pedíamos a autorização oficial para o funcionamento de uma escolinha instalada em Cibombo, para crianças que ficavam sozinhas o dia todo. As crianças ficavam entregues a si próprias, enquanto as mães iam angariar o sustento da família a 12 ou 15 km de casa, regressando só por volta das 19 ou 20h da noite.
No dia 17 de Dezembro de 2003, a Educação Nacional deu-nos a autorização pedida.
A escola já tem 5 turmas de ensino básico e três de infantário. Os pais estão contentes por verem que as crianças, usando os uniformes que já tinham comprado, vão à escola construída com os tijolos que eles próprios tinham fabricado.
A 15 km de Cibombo, conseguimos arranjar um terreno de 100x200 metros que veio dar força às nossas esperanças de incentivarmos a cultura comunitária com um grupo de 12 mães, a quem damos uma iniciação. Elas poderão depois iniciar outras mães que, a pouco e pouco, poderão garantir a alimentação de base dos filhos.
É esta, em resumo, a nossa modesta participação na luta contra a miséria. Continuamos, pois, a sentir-nos muito pequenos perante a imensidão da pobreza.
Gertrude Tundu-Kialu, RD Congo
***
O Instituto de Apoio à Criança é uma ONG portuguesa que, através da sua secção “Aprender na Rua”, propõe a crianças e adolescentes de bairros camarários actividades que têm o objectivo de os "motivar para a frequência escolar".
O Instituto de Apoio à Criança, em que todas as quintas-feiras, em Famões vem sempre uma carrinha com três “monitores” que é o Mário, Alexandre, São, às vezes vem a Sónia para o lugar da São, mas quem vem mais é o Mário, Alexandre e a São.
Todos eles são porreiros! Há uns que gostam mais e outros gostam menos porque cada um tem o seu feitio! Por exemplo o Mário é um monitor simpático e divertido! O Alexandre é um monitor divertido e bacano, é o mais velho. A São é muito doce tomara muita gente fosse como ela!
Nunca faltaram nenhuma quinta-feira, fazem-nos companhia; jogos, ouvimos música e fazemos recortes e teatros sobre várias coisas... Deviam vir mais vezes como por exemplo duas vezes por semana!
Como por exemplo às segundas-feiras e às quintas-feiras. Onde podemos fazer as actividades à escolha deles e à nossa; não é bem assim porque quando eles vêm já estão com planos para nós, mas se nós acabarmos mais cedo podemos fazer as actividades que tínhamos em mente.
Mas é uma grande pena que eles tenham de ir mais cedo; também, ficam cá desde as 14 horas às 17 horas, já ficam cá em Famões três horas a fio, foi a melhor coisa que aconteceu cá em Famões porque, em caso dos mais pequenos que já andam no quinto ano de escolaridade e que não tenham ninguém em casa, eles podem ficar na carrinha do I.A.C.
Ricardo T., Famões, Portugal
***
Testemunho de Colette C., “Arca de Noé”, Brasil
Atualmente, os jovens daqui, que já têm agora todos mais de 18 anos, vivem muito ocupados com seus estudos e com os trabalhos que nos ajudam a viver (curral, leitaria - manteiga e queijo, padaria e cerâmica. Também estamos tentando terminar este ano a construção de uma hospedaria, que já começámos há dois anos e que ainda não está acabada por falta de dinheiro.
Normalmente, nossos jovens não trabalham fora, mas Fábio, cuja família é muitíssimo pobre, precisa mesmo de ajudar sua mãe. Ele segue morando na “Arca de Noé”, mas vai trabalhar na safra da cana do açúcar, embora continue seus estudos à noite.
Fábio se levanta às 3 da madrugada. Engole bem rápido o seu café da manhã, e mergulha na noite, com suas roupas do trabalho lavadinhas, mas com as manchas, que nunca sairão, do carvão da cana queimada na véspera. As folhas “cruas” da cana cortam que nem lâminas de fazer a barba, e as picadas dos insectos são muito ruins. Ele leva a sua foicinha terrivelmente afiada e a sua bóia fria que o sol abrasador irá esquentar (ou talvez estragar). Terá de percorrer 2 ou 3 km a pé até chegar no lugar onde irá trabalhar. Por vezes, quando o engenho fica mais longe, um ônibus, ou antes, uma espécie de gaiola sobre rodas, leva os cortadores de cana. O trabalho é todo feito à mão, pois as encostas das colinas são escarpadas. Muitas vezes a cana cresce no meio de um mato cerrado, e isso atrasa, claro está, o “rendimento”...
Fábio regressa quase sempre a casa cerca das 14 ou 15 horas. Pode então descansar um pouco e fazer seus trabalhos escolares; às 18 horas, um ônibus leva os estudantes de Juçaral até Vitória de Santo Antão, de onde regressarão por volta das 11 da noite; são 20 km, mas tem muitos buracos nos últimos 8 km, onde o caminho é de terra - Não tem como dormir, fala Fábio...
... Durante alguns meses no ano, é graças a este “inferno da cana”, como a gente chama esta safra, que cada trabalhador pode sustentar sua família."
Colette C. Brasil
***
"As raparigas são encaminhadas pelo nosso parceiro, a associação Solo para Mujeres, para um dos nossos dois lares...
O lema do lar do Terminal rodoviário é: destruir a engrenagem que se transmite de geração em geração. No entanto, nem todas as nossas acções constituem um êxito total, perfeito, pois o abuso de drogas duras provoca recaídas graves: álcool, medicamentos, crack, cocaína etc. Na opinião da directora da associação Solo para Mujeres, cerca de um terço destas mulheres morrem prematuramente, um outro terço volta a viver na rua e só um terço consegue mudar radicalmente de vida. Trata-se de um resultado animador, quando se sabe que mesmo as que recaíram beneficiaram de um apoio tanto material como psicológico que, de algum modo, atenuou os seus sofrimentos. Uma boa parte das que regressaram à rua, oferece aos filhos a possibilidade de continuarem a viver num dos nossos lares. As crianças mantêm os laços familiares com a mãe, com os outros membros da família e beneficiam de uma educação pré-escolar e escolar. Assim, a engrenagem foi quebrada, pois não se tornaram nem bebés nem crianças da rua.
Mesmo se nem sempre conseguimos salvar a mãe, podemos, no entanto, salvar muitas vezes os filhos.
A nossa refeição mensal no lar do Terminal: começámos por convidar as raparigas a partilharem um almoço. Na primeira refeição apareceram três raparigas, depois vieram onze, vinte e quatro...e assim por diante. O grupo de conversa, organizado a partiir desse momento, tornou-se uma fonte importante de troca de informações e de conselhos, uma coisa única naquela zona com reputação de extrema pobreza e violência."
Extractos da Carta 61 de Dezembro de 2005, Associação Les Trois Quart du Monde. Guatemala
***
TSUNAMI: Choque, tristeza, compaixão, solidariedade, compromisso duradoiro
"Muito mais do que a devastação deixada pelo seu rasto, o tsunami deixou a opressão do medo no coração dos habitantes das regiões costeiras. (...) Aliás, o tsunami atingiu essencialmente pessoas que já se encontravam deslocadas e que deverão, uma vez mais, migrar para se reimplantarem, com um pouco de sorte, num outro sítio. (...) Quando se entra na aldeia, a destruição salta logo aos olhos. A maior parte das casas, mesmo as de betão, foram arrasadas. (...) A aldeia ficou completamente deserta como todas as outras aldeias do litoral. Distribuímos arroz a cada família, um pequeno fogareiro a gás, alguns alimentos, utensílios de cozinha, baldes, pratos, copos, alguma roupa para as mulheres e crianças (...) Duas semanas após a passagem do tsunami, as pessoas encontram-se ainda apavoradas, em estado de choque, desanimadas (...) Como recomeçar a partir do nada? Prometemos voltar e partimos com o coração carregado de tristeza e de aflição."
Félix NS, Associação para os pobres das zonas rurais, Índia
"Sim, nós fomos apanhados pelo tsunami. Cerca de 50% das pessoas que apoiávamos morreram. O escritório que tínhamos foi arrastado pelas águas. Nas zonas costeiras que servimos as nossas tarefas são: 1) um serviço de saúde móvel, graças à generosidade de uma pessoa 2) um mini-centro de saúde 3) um centro de conscientização e de alerta sobre o vírus HIV e a SIDA 4) um programa de formação e de ensino da informática, de costura e dactilografia."
Mrs N. Nirmalla D, Sociedade para a Educação sanitária e desenvolvimento económico, Índia
"A indústria da pesca ficou totalmente destruída nesta zona ... cerca de 50 mil casas ficaram completamente demolidas e 30 mil ficaram parcialmente danificadas. As escolas, os hospitais e as infra-estruturas sofrerram graves danos. Um alojamento de urgência foi imediatamente fornecido pelas igrejas e pelos templos (...) Vários países deram tendas em grande número. O governo proibiu a construção de novas estruturas a menos de 100 metros do mar. Várias ONG locais e estrangeiras tomaram a iniciativa de construir casas... Alguns pescadores receberam barcos e redes de pesca. A maior parte deles voltaram novamente a pescar (...) Vai ser preciso muito tempo, para que a população possa acalmar tão grande sofrimento (...) Dada a enorme necessidade de alojamentos, não há mão-de-obra qualificada suficiente. Por isso, o governo e várias organizações lançaram programas de formação profissional."
Joe R, Fundação Thirasara, Sri Lanka
Martin C. fundador de Brotherhood of Hope Trust no Sri Lanka, acolhe no seu centro crianças muito pobres. Oferece-lhes a possibilidade de aprenderem e de se formarem. Felizmente a zona onde se encontra o centro não foi atingida. No entanto, as crianças, as suas famílias, o pessoal e os amigos do centro ficaram profundamente chocados com este desastre. O Martin convidou as crianças a exprimirem pelo desenho o que sentiam, o medo, a compaixão. Enviou-nos alguns desses desenhos que nos comoveram fortemente.
"Por ocasião do Ano Novo, falámos da catástrofe e ficámos muito comovidos com as dificuldades que as pessoas encontravam para levantarem a cabeça. Foi assim que a ideia de darmos um pouco do nosso tempo para criarmos bonitas coisas que poderiam decorar uma escola ou um centro para crianças começou a ganhar pés para andar. Aprendemos uma técnica especial de criação utilizando papel de seda e realizámos um fresco mural composto de três painéis." Esta criação foi enviada para a Tailândia onde foi oferecida a uma ONG que trabalhava com as vítimas do tsunami.
ATD Quarto Mundo, equipa de Brest, França
" O número de famílias atingidas ultrapassa os milhares e isto em mais de trezentas aldeias; vários milhares de pessoas foram levadas de enxurrada para o mar, o gado foi dizimado e as fontes de receita sumiram-se (...) Nós próprios, assim como os nossos associados e voluntários tentámos ir ao encontro do maior número possível de aldeias, levando connosco alguns socorros: pratos preparados, alimentos secos, condimentos, óleo de cozinha, fogareiros, lençóis, vasilhame para guardar água, medicamentos, roupa de vestir, utensílios, esteiras para o chão, brinquedos, livros, estojos de higiene, produtos sanitários para as mulheres, alimentos de bebé, lonas e tendas como abrigos provisórios. Também levámos apoio social e psicológico, o que era uma necessidade da maior importância para esta gente tão traumatizada (...)
Rev. Fr. Joseph A, Centro Nacional de Coordenação das Missões, Índia
Algumas pessoas muito pobres que participam nos Ateliês de Arte na Rua animados por ATD Quarto Mundo na Bélgica tiveram a ideia de construir tijolos de papelão para simbolizarem a necessária reconstrução das pessoas, das casas e dos países. Também foram escritas algumas mensagens, por ocasião das Universidades Populares Quarto Mundo. Os tijolos e as mensagens foram enviados a pessoas que se encontravam próximas das vítimas do tsunami em vários sítios.
Eis um testemunho: "O nosso muito obrigado pelas cinco obras artísticas a propósito da catástrofe causada pelo tsunami; muito obrigado também pela bonita carta que recebemos de vocês. Tenho dificuldade em vos exprimir como é emocionante para mim ter entre as mãos as pinturas feitas pelos moradores de um bairro muito pobre da Bélgica. Estou-vos muito reconhecida, a vocês todos, ao Jean-Luc, à Cristelle de Tournai, à Diana e a todos os que por modéstia não assinaram. Amo-vos muito a todos. Logo que tenha a possibilidade de estudar como montar as vossas construções _ (...) irei enchê-las de guloseimas sortidas e darei as caixinhas aos refugiados. Eles ficarão muito sensibilizados com o vosso gesto, quando souberem que foram amigos da Bélgica que as enviaram."
Reg M, Nova Zelândia
***
Quem mais trabalha e mais labuta na “Organización San Vicente”, fundada pelo Padre Cacho (já falecido), são os habitantes duma favela onde estão reunidas todas as condições de precariedade que conduzem à extrema pobreza. Mas há também algumas equipas que colaboram benevolamente com as famílias. Eis o que Hélène de B., membro do ATD-Quarto Mundo, nos conta após uma recente viagem na região:
"Há progressos que são notáveis se considerarmos a grande pobreza da população. Esses progressos são visíveis se observarmos os infantários em regime de autogestão, os teatros para os jovens e, sobretudo, a evolução social dos “homens do lixo”, que foi possível graças a um projecto reconhecido e aprovado pela cidade de Montevideu, chamado “Reciclar esperanças.” Graças a este projecto eles são reconhecidos como verdadeiros trabalhadores, que, beneficiando duma formação, recuperaram a sua dignidade de homens. Podemos vê-los pelas ruas da capital com as suas carroças puxadas por uns magros cavalitos. Foi-lhes concedido o direito de recolherem o lixo em certos bairros e são pagos por isso. Vai longe o tempo em que eram tratados de “foça lixeiras”, em que eram desprezados por todos os outros habitantes da cidade. Às vezes, o Padre Cacho acompanhava-os no seu trabalho nocturno, para partilhar com eles a vida difícil que tinham, e batalhou até morrer, para que fossem reconhecidos como verdadeiros trabalhadores.
Os estudantes de medicina veterinária continuam a tratar-lhes dos cavalos, como já faziam no tempo do Padre Cacho.
Actualmente, as oficinas de “Reciclar esperanças” estão a desenvolver-se cada vez mais: temos, assim, a oficina de reciclagem de computadores, a das máquinas de lavar e a dos frigoríficos. À medida que o volume do material reciclado aumenta, os restos inutilizáveis diminuem e são ensacados por jovens, que deste modo arranjam trabalho. Depois, os sacos são recolhidos pelos serviços municipais, o que melhora notavelmente o aspecto das zonas de habitação, pois os montes de lixo desapareceram e os esgotos deixaram de se entupir.
Claro que este serviço reconhecido e remunerado melhora imenso as condições de vida destas famílias tão pobres e confirma o que o Padre Cacho afirmava convictamente em 1990: "Acreditamos na capacidade dos pobres serem os agentes de uma vida nova".
Organización San Vicente, Uruguai
Correio dos Leitores
"Depois do Seminário realizado na Ilha Maurício em Abril de 2000 e que tinha por tema: “Como ajudar as crianças mais pobres,”lancei um projecto em favor das crianças desfavorecidas, numa cidadezinha situada a cerca de 120 km a noroeste de Harare. Isto foi feito na continuidade da Declaração adoptada na Ilha Maurício. Neste momento, estou a tratar de registar esse projecto a nível nacional. Eu era professora. Apresentei a minha demissão para poder consagrar todo o meu tempo a essas crianças, às suas famílias e às suas comunidades. Graças ao auxílio de alguns amigos, construí o “Centro de Crianças Tariro”. “Tariro” é uma palavra que significa “Avançar/Esperança”. As crianças dizem: "Nós esperamos" e com isso querem dizer: queremos ter apoio escolar, queremos viver com melhores condições sociais, mentais e económicas, queremos ser tratadas como crianças e crescer sem SIDA." O objectivo do projecto é, pois, dar esperança às crianças que vivem em condições difíceis.
Sr. Shangai C., Zimbabué
***
Notícias de uma digressão teatral feita em 11 prisões, para celebrar o dia 17 de Outubro, dia internacional da recusa da miséria "...Em Dapaong, o procurador achou que a cadeia era pequena de mais para o espectáculo e assumiu a responsabilidade de tirar de lá os 110 presos para os levar ao tribunal. O presidente do tribunal desmontou a sala toda para se poder instalar o palco e mais de 200 espectadores.... Em Aného, o director da prisão emprestou uniformes aos presos para eles poderem representar uma cena onde troçavam... do director da prisão. A cadeia nunca mais voltará a ser o que era, a partir do momento em que se criaram entre os seus habitantes laços desse tipo."
Village Renaissance (aldeia renascimento), Togo
***
"Manifestamos o nosso desejo de continuar recebendo a Carta aos Amigos do Mundo, ainda mais considerando que, agora, elas estão sendo impressas, igualmente, em português. Nosso trabalho junto aos pobres continua. (...) Ana Isabel servindo numa creche situada numa favela aqui de Porto Alegre, diariamente, com trinta crianças de idade zero a seis anos, filhas de empregadas domésticas. (...) Eu, Jacques, continuo defendendo os agricultores sem terra e os pobres sem tecto, com algumas vitórias judiciais mas, infelizmente, com muitas derrotas também. (...) Desejando a você e às demais companheiras e companheiros do Quarto Mundo e do Fórum Permanente sucesso nos serviços que prestam aos pobres, despedimo-nos com um abraço de
Ana Isabel e Jacques A., Brasil
***
"As minhas mais cordiais saudações e também os meus agradecimentos por nunca se esquecerem de me mandarem a Carta aos Amigos do Mundo, que me permitem ficar ao corrente da evolução do Fórum Permanente, com as diversas acções de todos os nossos amigos que partilham actividades e experiências com os mais pobres em muitos países e lugares por esse mundo fora. Guardo todas as vossas Cartas e, aos fins-de-semana, fazemos uma reunião com um grupo de amigos para reflectirmos sobre o que se passa e o que se faz para acompanhar os mais desfavorecidos. (...) Quanto às acções concretas que realizamos, trabalhamos com grupos de mães, que são camponesas pobres da zona do Distrito de Pacucha, na Província de Andahuaylas. Uma vez por mês, os grupos dessas mulheres organizadas (12 comissões femininas, ao todo 72 mulheres) compram lã no mercado de Lima e tecem camisolas, primeiro para as famílias, e depois para vender. Conseguem assim trabalhar com um fundo de maneio de 1.200 Soles actuais (US$ 400)."
Raul C., Peru
***
"Neste momento o GICPED atravessa um período de progresso e alegria. A nossa pocilga que tinha só dois porcos tem agora mais cinco porquinhos. A nossa nova estratégia para ajudar os mais desocupados consiste em dar dois porquinhos (macho e fêmea), de que nós financiamos a criação, a cada aldeia. Quando os porcos se reproduzirem, eles ficarão com as crias e achamos que este método fará diminuir a extrema pobreza.
Emmanuel E., Camarões