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CARTA AOS AMIGOS DO MUNDO Nº 65

Fórum Permanente sobre a extrema pobreza no mundo
quarta-feira 24 de Janeiro de 2007.
Carta aos amigos do mundo
Janeiro de 2007 - N° 65

Editorial

Seremos nós muito diferentes uns dos outros?

Nos quatro cantos do mundo, embora rodeados por realidades muito diferentes, não procurará cada um de nós, a seu modo, realizar gestos que exprimem a mesma sede de harmonia, de paz, de justiça e de generosidade?

Ao aceitarem um pagamento muito abaixo do normal sem se queixarem, “por causa dos bebés”, a parteira e os empregados da Casa dos Bebés, no Nigéria, fazem, no fundo, a mesma coisa que os jovens do Centro Cultural de Villanueva, na Argentina, que dão aulas de graça às crianças do bairro. Em Nabaa, perto de Beirute, é por vezes difícil haver harmonia entre os habitantes e os inúmeros refugiados que ali afluíram. No entanto, foram os moradores desse lugar, eles próprios bem pobres, que fizeram um esforço para acolherem os refugiados e para se porem ao seu serviço. O livro “Há ouro debaixo da ponte” conta a vida e a imensa coragem de pessoas extremamente pobres, através da história da família de Mercedita que vivia debaixo duma ponte nas Filipinas. E a Mercedita, que faleceu poucos dias depois do lançamento do livro, dissera pouco antes: "Estou muito feliz com este nosso livro. Assim, continuarei viva, sobretudo para os meus filhos." Noutro país asiático, uma menina de onze anos, a quem a família não pode pagar os estudos por ser muito pobre, revolta-se ao ver rejeitados os serviços que prestara gratuitamente...

Ver a sua própria dignidade reconhecida pelos outros, sentir-se útil, manifestar a sua solidariedade, tudo isto são necessidades vitais comuns a todos nós, e que cada um deseja realizar para mostrar que pertence a uma só e mesma humanidade. Os exemplos que escolhemos para esta Carta aos Amigos do Mundo exprimem a busca activa e criativa de uma humanidade indivisível e fraterna, confirmando, ao mesmo tempo, que afinal não somos lá muito diferentes uns dos outros!

Huguette Redegeld
Vice-Presidente


China

A menina

"Na primavera passada, fui ao Mausoléu Qianling com um turista estrangeiro. Este Mausoléu foi construído numa colina chamada Liang Shan. Enquanto subíamos, vinha atrás de nós uma menina com duas grinaldas para vender como recordação. Indicou-nos muito naturalmente a porta de entrada do Mausoléu e falou-nos das lendas que no local se contavam a propósito da dona daquele Mausoléu, a famosa imperatriz Wu Zetian. Comportava-se connosco como se fosse um pequeno guia turístico e eu ia traduzindo ao visitante tudo o que ela nos dizia. Quando chegámos ao cimo da colina, o visitante perguntou-me quanto é que devíamos pagar à menina pelos serviços prestados. Fiz a pergunta à menina que me respondeu: "A minha ajuda é de graça". A seguir, mostrou-me uma grinalda feita de pano com os doze animais que tradicionalmente representam os signos do Zodíaco chinês e perguntou-me se a queríamos comprar por 20 RMB. Transmiti a pergunta ao visitante que abanou a cabeça dizendo que não a achava nada bonita. Depois, pegou numa nota de 20 RMB e disse-me que a desse à menina para pagar os serviços prestados, mas que não queria a grinalda com os doze animais de pano. Vi imediatamente que os olhos da menina mostravam quanto tinha ficado zangada e ofendida. "Assim não. Eu ajudei-vos gratuitamente, mas a recordação é para vender." E depois destas palavras, fechou-se num silêncio hostil.

Ao descermos a colina, vi que a menina também a descia. Fiz o possível para meter conversa com ela e fiquei a saber que vinha duma aldeia vizinha. Como era de uma família demasiado pobre para lhe pagar a instrução primária, tinha resolvido vender aquelas recordações para pagar os estudos. Fiquei muito comovido. Era uma menina ainda tão pequena, não teria mais de 11 anos! Quando contei ao visitante o que acabara de ouvir, também ele se comoveu e perguntou-me o que havia de fazer. E eu respondi-lhe: "Se agora já gosta mesmo da grinalda, compre-a por favor! Mas se ela continua a não lhe agradar, não a compre. Sou eu que lho peço".

William Cheng, Ásia


Argentina

"Somos um grupo de jovens do Distrito Ocidental da cidade de Rosário, na Argentina. No ano passado, participámos num programa de promoção social da autarquia, intitulado “Animadores Sociais”. Este programa dá formação a jovens para eles transmitirem certas informações a nível municipal, distrital ou nacional e para que criem por sua vez actividades próprias no seio das instituições a que pertencem.

Quanto a nós, somos cerca de 12 adolescentes de 14 a 19 anos e vivemos no bairro Villa Nueva. Queríamos animar a vizinhança e começámos “com o pé direito”. Damos aulas de graça às crianças do bairro três vezes por semana. As que beneficiam deste apoio escolar têm entre 6 e 12 anos e vivem com as mesmas dificuldades que nós a nível económico. Neste momento ajudamos mais de 40 crianças.

No Centro Jovem, animamos um ateliê de palhaços desde o mês de Abril. E agora, depois de termos estado sozinhos nesta luta durante três meses, há jovens de várias faculdades da cidade que nos propõem a sua ajuda. E é muito complicado ter que atender a todos esses pedidos, já tão numerosos (...)"

Os jovens do Centro Cultural dos Jovens de Villanueva, Argentina


Nigéria

Há actualmente 10 bebés que foram acolhidos na “Casa dos Bebés sem Mamã”, em Nsukka. Esta casa é dirigida pelo Conselho Nacional das Mulheres, secção de Nsukka. Com tudo o que se passa à nossa volta, poderíamos pensar que as pessoas deixaram de se preocupar com os carenciados e desprovidos de qualquer privilégio. No entanto, se observarmos os donativos que afluem a esta Casa, damo-nos conta que há pessoas que lá vão todos os dias, e outras várias vezes na semana ou no mês. Há pessoas que dão coisas e tenho a certeza que o facto de verem crianças saudáveis dá muita alegria aos visitantes. A parteira e os outros empregados da Casa não são muito bem pagos, porque não há dinheiro disponível. Apesar disso eles não se queixam, por causa dos bebés, embora desejassem ser aumentados.

Na semana passada estive com o director de um banco, e estivemos a conversar sobre a humanidade e sobre o facto de nos devermos preocupar com os outros. Segundo ele "é a isso que nós, os privilegiados, deveríamos consagrar mais tempo". E falou em encorajar e apoiar os que não são privilegiados como nós. Tinha muita pena de não ter podido ir à Casa dos Bebés durante um certo tempo por causa das exigências do seu trabalho, embora anteriormente lá tivesse ido regularmente. Ele falava-me das suas reflexões sobre os assuntos que o preocupavam sem se aperceber que eu também me interessava muito particularmente por essa Casa dos Bebés.

O Centro Infantil da Universidade da Nigéria acaba de terminar o seu programa de férias. Um dos projectos intitula-se “Preocupar-se com os outros”, e nesse projecto as crianças visitam e tratam dos bebés da Casa, dão-lhes presentes e ocupam-se deles “adoptando-os”.

Josephine A., Casa dos Bebés sem Mamã, Nigéria


Filipinas

“Há ouro debaixo da ponte”

"Em Manila, no âmbito da celebração do dia 17 de Outubro, Jornada mundial para a erradicação da miséria, foi publicado um livro intitulado “Ouro debaixo da ponte”, na Universidade das Mulheres Filipinas. O objectivo deste livro é dar a conhecer ao público em geral a coragem e as realidades da vida das pessoas que vivem numa extrema pobreza.

“Há ouro debaixo da ponte” conta a história da família de Mercedita, que representa muitas famílias que eu conheci vivendo debaixo da ponte da Avenida Quirino e outras famílias que vivem no cemitério, ao longo do canal, e junto de uma via rodoviária com imenso trânsito; todas estas famílias continuam a tentar livrar-se da pobreza. A sua procura incessante de uma solução para a situação em que vivem manifesta-se claramente na sua actividade diária, e aparece nas conversas que eu própria e outros voluntários do ATD temos regularmente com elas. O livro tenta traduzir todas estas realidades (que são elementos de uma sabedoria que mostra como estas famílias se tornaram peritas na luta contra a pobreza) através daquilo que a família de Mercedita partilhou connosco ao longo dos anos, a partir de uma acção em comum com a família dela nas bibliotecas de rua, nos fóruns mensais, e a partir de uma presença constante no seio da comunidade. O seu objectivo é fornecer elementos de compreensão baseados nas reflexões de Mercedita sobre a sua situação, e nas reflexões duma voluntária permanente, testemunha de vários acontecimentos da vida da família e da sua resistência em relação a esses problemas.

Alguns dias depois do lançamento do livro, a Mercedita, que há muitos anos se batia contra a tuberculose, faleceu. As palavras que ela me disse durante a nossa última conversa, quando pegou no livro acabado de sair, ficaram profundamente gravadas dentro de mim: "Estou feliz com o nosso livro. Agora, mesmo se morrer, continuarei viva, sobretudo para os meus filhos". E é verdade que ela há-de continuar a inspirar-me, e espero que continuará a levar outras pessoas a ir à procura doutras Merceditas, considerando-as como colaboradoras essenciais na luta contra a pobreza e não simplesmente como pessoas com problemas que têm de ser resolvidos."

Marilyn Gutierrez, autora do livro “Ouro debaixo da ponte”, Anvil Publishing House, 117 páginas


Peru

"Durante a semana do dia 17 de Outubro, aquando da celebração da Jornada mundial da erradicação da miséria, realizámos uma série de actividades com os 3 centros educativos rurais onde trabalhamos, sobre o tema da educação, da arte e das relações interculturais, de maneira a promover a auto-estima e a revalorizar os saberes ancestrais, utilizando a arte como elemento pedagógico que permite uma maior criatividade e uma melhor compreensão do contexto social. É para nós uma bela experiência podermos aprender com as crianças e com os pais certas maneiras de viver que geram o respeito e a harmonia entre a natureza, o homem e as suas crenças. As nossas crianças têm muitas carências materiais, mas são espiritualmente grandes e nobres.

No dia 15 de Outubro, animámos um programa numa estação de rádio local com um grupo de convidados, sobre o tema da pobreza, alimentação e família... sobre a assistência e o seu impacto, até que ponto esta pode ser boa ou má... Depois, no dia 16, houve um encontro entre as escolas da comunidade de Santa Elena, para as crianças poderem trocar os seus trabalhos artísticos de cerâmica, de pano ou de pintura, e para porem em comum os seus conhecimentos a nível de contos, lendas e canções; e, paralelamente, o encontro dos professores partilhando as suas experiências foi como um símbolo de unidade.

No dia 17, houve um programa similar no parque de Lampa de Oro de Andahuaylas. Este evento começou com um desfile pelas ruas da cidade, e depois reunimo-nos no parque onde o intercâmbio entre as crianças da cidade e as comunidades rurais foi feito através de canções, poesia, teatro e muita alegria. Havia cartazes que proclamavam o respeito e a recuperação da nossa cultura.

Coordenámos todas estas actividades juntamente com a associação Warmayllu, palavra que significa “comunidade de crianças” e que é uma ONG muito pequenina, com sede em Cajamarca.»

Alejandro G., Peru


Portugal

No local da “Associação Qualificar Para Incluir”, um jovem entregou-me o texto que se segue. Esta Associação acompanha actualmente 180 pessoas em formação (165 jovens e adolescentes e 15 adultos) que, quando lá chegaram tinham “descarrilado”, estavam “quase a enterrar-se”, e “não compreendiam o significado da união”...

O AMBIENTE NO MEU BAIRRO

"Como é o ambiente no meu bairro? Pergunta que me fazem sempre que me identifico como um inquilino dum bairro social. O ambiente (...) é muito pesado. Vêem-se miúdos de 13 anos a começarem a descarrilar sem olharem para as consequências (...). Integram-se no mundo da droga muito cedo, começam pelas passas e acabam enfiados num canto escuro a fumar um grande número de charros, depois, com o efeito, cometem algo inesperado. Com a traça roubam, com a ressaca partem montras e (...) descarrilam os outros. Mas não se metem na droga ao acaso, são influenciados pelas companhias, ou porque querem fugir dos problemas, como eu há uns 3 anitos. Hoje em dia (...) vejo putos mais novos ou da minha idade a enterrarem-se nisso, maior parte das vezes até são miúdos que têm tudo para serem alguém na vida e que só não o são porque têm a curiosidade de experimentarem... Acabam por se enterrar, querem ter fama de pessoas más (...), pensam que por fumar um charro, roubar um telemóvel, dar uma queca, formar um gang e vender droga serão alguém que irá ser respeitado, mas não: irão ser alguém inactivo na sociedade, que andará dependente do rendimento mínimo ou irá parar a um estabelecimento prisional. E aí terá continuidade a pobreza, porque será um pai ausente (...), será um mau exemplo de vida (...). Eu saí desse tipo de pensamento de querer fazer com que as pessoas me olhassem como um caso perdido, mas só consegui passar essa fase com a ajuda (...) de uma casa, onde descobri o verdadeiro significado de muitas palavras, que me mostrou outros tipos de convívios e outras maneiras de passar o tempo. Agora sim, fiz grandes amizades e compreendo o significado da união. Agora sim, já não desisto dos desafios porque “não sei” e já tenho um projecto de vida a alcançar por etapas. O passado não o quero esquecer (...), quero tê-lo como um modelo de vida para que no presente o possa alterar par ter um futuro melhor.

Eduardo Jorge F. (16 anos), Portugal


Líbano

Os nossos amigos do Líbano partilham connosco a sua vida que foi muito difícil durante estes últimos meses.

"A população de Nabaa viveu em pânico durante os primeiros tempos da guerra. O nosso bairro é atravessado por uma grande ponte rodoviária, próxima das casas. As pessoas tinham sempre medo que a ponte fosse bombardeada.

Um grande número de refugiados afluiu ao nosso bairro que fica perto de Beirute. As pessoas estavam sempre a chegar, aos magotes. Como os habitantes do bairro são muito pobres, este afluxo de refugiados aumentava as dificuldades materiais de todos. Nem sabíamos por onde havíamos de começar!

Primeiro, tentámos reprimir o pânico que levava as pessoas a fugirem sem saber para onde... Alojámos os refugiados que chegavam, em casa de parentes ou de pessoas da mesma aldeia, e eles foram-se amontoando em alojamentos minúsculos, nas escolas, em lugares públicos.

A seguir organizámos a vida material: comer, dormir, lavar-se, limpar...

Contactámos a câmara para ela desinfectar as ruas. Propusemos actividades às crianças refugiadas e às crianças do bairro para elas não andarem à toa pelas ruas.

Ajudámos certos refugiados a arranjar trabalho para eles ganharem o pão das suas famílias.

Por fim, com outras associações implantadas no bairro, criámos uma Comissão de Solidariedade com toda a população civil. Aprendemos assim a trabalhar juntos e a coordenar a nossa ajuda. Pensamos poder fornecer livros e material escolar às crianças refugiadas, quando as aulas recomeçarem.

Às vezes é difícil haver harmonia entre a população do bairro e os refugiados. Os habitantes de Nabaa são muito pobres e têm uma vida muito precária; no entanto, apoiados e encorajados por Beituna, a nossa associação, fizeram grandes esforços para acolher os refugiados, para os ajudar a instalar a electricidade e os reservatórios de água. As pessoas que propuseram os seus serviços eram todas muito pobres.

Recebemos um telefonema duma senhora muito pobre de Nabaa que vive agora na Índia. Ela queria saber notícias dos vizinhos e quis marcar a sua solidariedade para com os seus amigos de tão longe. Foi capaz desse esforço apesar do preço da chamada e do problema da língua.

Todos estes sinais de amizade nos dão coragem, e encorajam os habitantes de Nabaa a continuar.

O trabalho em comum da Comissão fez com que pudéssemos reflectir todos juntos e queremos continuar todos juntos nesta caminhada.

Irmã Thérèse R, Sako M, Líbano


Dialoguemos.... Partilhemos.... Dialoguemos.... Partilhemos.... Dialoguemos....

Continuemos o nosso diálogo sobre os meios de comunicação modernos vividos por aqueles que conhecem a pobreza. Aqui vão alguns excertos de reacções que tiveram alguns correspondentes do Fórum ao editorial da Carta nº 61.

Aliou S., da Associação Sawadi, Senegal: "... é através da comunicação que os pobres conseguem encontrar-se em pequenos grupos para travarem um diálogo social e lançarem acções comunitárias de sobrevivência. Por outras palavras, a comunicação sempre foi a força dos pobres. (...) O computador e a NET são ainda um luxo desconhecido em certas localidades. Porém, a rádio, a televisão e o telefone começam a fazer parte da vida quotidiana de populações afastadas dos grandes centros urbanos. (...) Fui levado a acompanhar um programa de alfabetização numa zona rural da minha província natal. A utilização da máquina de calcular como ferramenta didáctica foi a maior inovação do programa. Os participantes vindos de famílias pobres manipulavam pela primeira vez uma máquina de calcular. Cada aluno tinha uma máquina só para ele e continuava a treinar-se para a poder usar nas suas actividades diárias. E isso também lhes deu acesso a uma ferramenta ainda mais apreciada actualmente: o telefone numérico e o telemóvel. A partir de aulas sobre o reconhecimento e a escrita dos números, e com a máquina de calcular como acessório, a leitura deixou de ter segredos para aquelas pessoas graças à assimilação dos algarismos. (...)"

Ester C., da ONG M.A.M. (Movimiento Abolición de la Miséria), na Argentina, lembra-nos que o único meio de comunicação do seu grupo era a palavra. É por isso que ela põe um certo número de questões em relação às tecnologias modernas de comunicação que, a seu ver, se esquecem do valor da Palavra. Apesar disso, dá-nos um exemplo dos benefícios da tecnologia: "Claro que, quando o telemóvel chegou, transformou a nossa vida. As distâncias e as urgências deixaram de ser as mesmas e isso fez com que nos pudéssemos integrar na vida quotidiana daquela pequena comunidade. (...) Depois do falecimento dum bebé do nosso grupo, o nosso amigo que era responsável pela comunidade resolveu comprar um telemóvel para não tornar a viver de tão longe um momento tão difícil como aquele. A sua atitude foi um exemplo para todos, até porque ele o comprou com o seu próprio salário e a prestações".

Martine B., Rede REPPER: "... a Internet ajudou e simplificou a vida da rede que tem mais de 300 correspondentes no mundo inteiro e que auxilia as crianças da rua. Há sete anos, só 10% tinha a Internet, e hoje, só 20 é que ainda não a têm. As trocas de informação são mais numerosas, mais rápidas e mais eficazes. As experiências de alguns são conhecidas por todos e cada um pode tirar delas os exemplos que lhe dizem respeito."

Associação Koogl-Taaba, Burkina-faso: "... a nossa associação está neste momento preocupada com a fome que bate à porta dos nossos corajosos camponeses e dos nossos parentes da aldeia... Em numerosas regiões, incluindo as que tradicionalmente sempre estiveram ao abrigo da penúria, os cereais escasseiam, quando não estão simplesmente fora do alcance das bolsas dos pobres. (...) A grande modificação que se verifica actualmente na comunicação implica, mais do que uma simples revolução tecnológica, uma mudança completa do modo como a humanidade apreende o mundo que a rodeia. Os novos media são grandes meios de educação e enriquecimento cultural, ao serviço da actividade comercial e da participação política, do diálogo e da compreensão intercultural. Estas novas tecnologias podem ser uma maneira de resolver problemas humanos, de promover o desenvolvimento integral das pessoas, e de criar um mundo governado pela justiça, pela paz e pelo amor..."

A comunicação abrange todos os aspectos da vida. Envie as suas experiências e reflexões por correio electrónico a forum.permanent@atd-quartmonde.org ou pelo correio postal.

Carta aos Amigos do Mundo n° 65
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