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CARTA AOS AMIGOS DO MUNDO 60

Fórum Permanente sobre a extrema pobreza no mundo
Novembro de 2004.
Carta aos amigos do mundo nº 60, Novembro de 2004

EDITORIAL

"Pertencer a uma mesma humanidade"

Quando Alfredo E., de Espanha, afirma:

" Somos todos iguais em dignidade"; quando, como um eco, Erika T., das Filipinas, declara: "A dignidade é-nos intrínseca e essencial, e faz parte daquilo que nós somos"; e quando, seguindo a mesma ordem de ideias, Mariana G. e Eduardo S., do Brasil, constatam que: "as pessoas verdadeiramente implicadas não precisam de etiquetas nem de termos técnicos", todos eles nos levam a partilhar a maneira de ver de toda uma humanidade decidida a destruir a miséria.

Mas, apesar disso, continuamos a correr o risco de considerar a miséria como a desgraça de uns tantos, e a luta para a eliminar, como o dever dos demais. Ora, esse tipo de raciocínio leva-nos a considerar a humanidade como sendo composta de pessoas “passivas”, incapazes de contribuírem para o que quer que seja, e de pessoas “activas”, que seriam as únicas a poderem (e a saberem) assumir as suas responsabilidades. Mas nada disto é verdade. Se nos deixássemos influenciar por tais convicções, deformaríamos aquela realidade que cada qual traz e desenvolve dentro de si: a consciência da dignidade, da justiça e da fraternidade, enraizada em cada um de nós, que nos torna conscientes de pertencermos a uma mesma humanidade. Uma consciência que nos liga uns aos outros através da certeza de que a miséria não pode ser obra do destino, visto termos a possibilidade de trabalhar e de lutar para a recusarmos. E nessa luta vamos encontrar tanto aqueles que conhecem perfeitamente a extrema pobreza, como os que dela mais longe estão. "A maioria dos membros do nosso grupo vem de meios desfavorecidos, e foi esse facto que nos fez compreender que a pobreza não é obra do destino", escreve Jean Sylvain N., dos Camarões. E Claude F. D., da Argentina, conta que no seu trabalho com jovens presos, "tivera a colaboração, no seio da sua equipa, de dois professores do ensino público que queriam trabalhar como voluntários".

É indispensável termos uma visão das coisas bem clara e bem precisa. A humanidade é una e indivisível. E nós temos que a viver plenamente para que a injustiça e a miséria desapareçam da face da terra.

Huguette Redegeld, vice-presidente

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Nº 1

"Eu, por mim, tenho uma responsabilidade própria, sou responsável pela minha família, não tenho uma responsabilidade de ministro. Mas que terei eu que tu não tenhas? A nossa dignidade é a mesma. Tu tens a tua e eu tenho a minha. Mas, muitas vezes, acabamos por brigar uns com os outros, por um ter dinheiro e o outro não. Porque há alguns que têm a seu favor o mundo inteiro, enquanto nós somos discriminados.

Quanto a mim, tenho que assumir os encargos que me competem: os meus filhos e o futuro deles. Vivemos durante muito tempo num lugar muito degradado, num bairro de lata (favela). E conseguimos sair de lá. Agora pelo menos tenho um pequeno apartamento, pelo qual tivemos que lutar muito. Sei que há pessoas que vivem no meio de dificuldades bem maiores. Mas aquilo que eu vivi, não quero que mais ninguém o viva.

Não quero que os meus filhos o vivam. Quero que eles possam estudar. E digo-lhes que temos que lutar por aquilo que queremos, que o que cada um tem é o fruto do seu próprio trabalho. Se não semeares, nunca colherás. Se quiseres tomates, tens que semear tomates, e, por pior que seja a terra, acabarás por colher tomates.

Digo-lhes que, se eles estudarem, poderão construir a sua própria vida e terão um futuro assegurado. Mas que, sem estudos, não há nada a fazer. Não pretendo que sejam advogados, mas sim que tenham a possibilidade de poderem dizer mais tarde: "Que sorte eu tive!" Uma pessoa tem que se esforçar, porque ninguém te vai dar nunca nada de graça.

Este mundo é difícil porque nós o tornamos difícil. A nossa humanidade, podemos nós próprios construí-la.

Também quero que os meus filhos tenham de comer. Sabes por acaso o que custa querer dar um bocado de pão aos filhos e não poder? Sabes como dói? Sabes o que um coração de pai pode sofrer? É como se te arrancassem um pedaço de ti mesmo. Não há palavras que possam exprimir isto. E quem nunca por lá passou, nunca poderá compreender.

Não quero mundos e fundos, só quero poder dar alguma coisa aos meus filhos. Saberás o que isso representa, quando os teus filhos, de volta da escola, te dizem: "Ó Pai, fulaninho estava a comer uma sandes. Pedi-lhe um bocadinho, mas ele não me quis dar." Entre ter alguma coisa e não ter absolutamente nada, há um mundo de diferença. E tudo isto anda às voltas dentro da cabeça da gente. É por isso que eu quero que os meus filhos estudem, para terem amanhã o seu ofício."

Alfredo Escudero, testemunho lido em Madrid, Espanha, no dia 17 de Outubro de 2004

Nº 2

"Tenho 14 anos. Tenho 6 irmãos e 3 irmãs.

Nas escolas onde tenho andado, não há ninguém que simplifique a vida dos alunos que já de si têm vidas muito complicadas. Por exemplo, na escola da minha irmã, obrigam a pagar 15 dólares pelos bilhetes de identidade que se têm de tirar cada ano; se não se tiver o bilhete de identidade, paga-se um dólar por dia; e se alguém não tiver um dólar, naquele dia não pode entrar na escola; e se no dia seguinte também não tiver, também não entra. E, se todos os dias for a mesma coisa, se não se tiver nem bilhete de identidade, nem dólar, nunca se pode entrar na escola. Mas, se alguém faltar muitos dias à escola, a mãe do aluno vai presa. É por isso que eu acho que isto de obrigar a gente a ter um dólar ou um bilhete de identidade é um absurdo. Porque é que eles não dão muito simplesmente a cada criança um distintivo gratuito com o nome, como faziam antes? Ou então, podiam ao menos baixar um bocado o preço do bilhete de identidade.

Há muitas famílias que têm muitas dificuldades para comprar os uniformes da escola. Às vezes, quando os alunos são expulsos, têm que mudar de escola, e não é nada fácil arranjar outro uniforme. Devia haver nesta cidade uma espécie de armazém onde os alunos pudessem arranjar uniformes em segunda mão até poderem comprar um uniforme novo.

A maior parte das escolas não deixa os alunos levarem os livros para casa para poderem estudar, porque se os alunos perderem os livros, têm que os pagar, e se não os puderem pagar, depois não há livros para os alunos trabalharem nas aulas.

E assim é muito difícil estudar em casa. Já que não se podem levar os livros para casa, deviam dar-nos fichas, como fazia o meu professor de ciências sociais há dois anos. Senão, ninguém pode fazer revisões antes dos testes.

(...) Quando estive numa escola alternativa de nível intermédio, podia ir falar com o assistente social quando tinha problemas. Ele falava-me duma maneira muito diferente dos outros professores. Graças a ele, foi mais fácil para mim fazer os meus trabalhos e convencer-me de que poderia um dia ser aquilo que queria. O que ele me dizia era, por exemplo, o que é possível fazer com os estudos, e as coisas que me podiam fazer avançar na vida. Quando alguém me fala assim, eu entendo. Mais tarde, eu gostava de ter trabalho, não quero ser uma sem-abrigo. Mas para a gente fazer alguma coisa, tem que estudar, e para isso temos que ir à escola.

Eu acho que hei-de ir até ao fim dos meus estudos, porque o verdadeiro objectivo da minha vida é ser pediatra. E quero ser pediatra para poder ajudar as pessoas quando elas estão doentes ou quando precisam mesmo de ajuda. Espero um dia ser capaz de ser pediatra. E quando lá chegar, espero que tudo me correrá bem e hei-de fazer tudo com muito cuidadinho. Quando penso no meu futuro, eu sinto que posso chegar ao que realmente quero, se me aplicar com toda a minha inteligência e com toda a minha força de vontade.

Queria agradecer a todos, por me terem ouvido." Michelle Collins, testemunho lido no dia 17 de Outubro de 2004, em Nova Orleães, Estados Unidos Nº3

"As prisões estão cheias a abarrotar de jovens, pobres, entre os dezoito e os vinte e cinco anos. A maior parte já nasceu pobre e cresceu sem que nunca ninguém lhe tivesse dado trabalho; muitos deles já são pais. Para eles, desde pequenos, o roubo era a única saída (...). Nós íamos vê-los aos pavilhões e às células onde estavam (de três a oito em cada célula, conforme o tamanho). É fácil estabelecer um contacto com eles, um contacto pessoal, mas sentimo-nos obrigados a fazer também alguma coisa: ficamos indignados e cheios de raiva, perante tanta juventude sacrificada, que ninguém ajudou a salvar quando ainda era possível fazê-lo.

Há três meses, dois professores do ensino público, que queriam trabalhar como voluntários da Pastoral das Prisões para ajudar estes jovens, integraram a nossa equipa. Eles não ensinam sistematicamente os conteúdos dos programas escolares, mas tentam, como professores que são, satisfazer os pedidos dos jovens, alguns dos quais nem sequer sabem ler nem escrever (outros têm a primária incompleta e um certo número até começou o ensino secundário). E é só uma manhã por semana, porque estes professores só têm o sábado de manhã livre.

Por exemplo, na semana passada, trabalhámos com eles sobre um artigo/estudo que tratava das desigualdades sociais no nosso país. Foi para eles uma descoberta, o facto de ser possível tentar saber quais as causas dessas desigualdades. No fundo, a nossa finalidade não é fazê-los armazenar conhecimentos, mas sim que eles se sintam capazes de reflectir sobre a situação em que estão e as suas causas, para ver se eles conseguem por eles próprios imaginar uma maneira de resolverem as suas vidas. É que, além do mais, ao saírem da cadeia, dão-se conta que perderam tudo o que tinham, e muitas vezes até a própria família. Depois de terem passado uma série de anos fechados lá dentro, sentem-se completamente perdidos e ficam extremamente vulneráveis à tentação da recidiva.

É por isso que estamos a tentar fundar, solicitando uma ajuda ao governo, uma espécie de lar para acolher os jovens que saem de prisão, para que eles possam ser acompanhados e assistidos durante um certo tempo, de maneira a poderem preparar-se para reintegrar a sociedade."

Claude F. D., Argentina

Nº4

"Muito obrigado pela documentação que me mandou sobre o teatro relativo à Índia. Tudo aquilo que li, ajudou-me imenso a escrever uma peça de teatro que apresentei à população da minha freguesia natal. Essa peça, intitulada “A via da compreensão mútua”, convidava a população do meu país, dividido por causa do ódio gerado pelo genocídio de 1994 que envenenou o coração dos Ruandeses, a dialogar para conseguir perdoar e reencontrar uma vida que ultrapasse as barreiras étnicas. Trata-se de uma primeira fase, pois a segunda levar-me-á a abordar as jurisdições GACACA. São jurisdições que reproduzem um modelo tradicional que consiste em reunir todos os habitantes de uma aldeia a fim de eles poderem debater sobre a maneira como o genocídio se processou, descobrir como é que as pessoas foram assassinadas e quem pilhou os seus bens. Esta segunda etapa permitir-me-á encorajar as pessoas da aldeia a exprimir o que desejam e a revelar a verdade sobre o genocídio ruandês que dizimou um milhão de homens, de mulheres e de crianças inocentes. Os prisioneiros já começaram a confessar publicamente os seus crimes, e alguns até foram amnistiadosados pelo presidente da república.

Mas há outro problema que me atormenta. O genocídio deixou-nos numerosos mendigos que se arrastam pelas ruas. Há velhos, mulheres com filhos enfezados às costas, e crianças sem abrigo. Queria que me dissessem se há alguma coisa que eu possa fazer para os ajudar, para os tirar desta miséria e para lhes dar melhores condições de vida.

A Carta aos Amigos do Mundo nº 55, de Março de 2003, deu-me uma certa esperança porque ela prova que a construção de um mundo melhor já foi lançada. Há associações que nascem por todos os lados, onde se reúnem pessoas que querem fundar um mundo de amor, onde as crianças seriam felizes, teriam acesso à educação, e onde haveria quem se encarregasse dos deficientes. Mas o que mais me interessa em todas estas iniciativas, é que os pobres têm que começar por se assumir a si próprios, antes de se virarem para os outros, como mostra a experiência das 26 mulheres do Togo."

Pascal N., Ruanda

Nº 5

"Deparamos cada dia com gente que vive em condições terríveis. E, às vezes, perguntamos a nós próprios se será possível construir um dia um mundo sem pobreza! Mas também encontramos cada dia pessoas que lutam contra a miséria e é isso que nos dá força para continuar.

Lemos sempre os relatórios que nos mandam do Guatemala e de Espanha... Quanto ao relatório de Espanha, a nossa própria experiência prova bem aquilo que dizem sobre as pessoas realmente implicadas no que fazem: trata-se de “pessoas”, de gente normal, igual a qualquer um; e não precisam de etiquetas nem de termos técnicos.

A Mariana verifica isso mesmo no seu trabalho com as crianças [pobres]. O termo “menor”, que normalmente designa os que têm menos de 18 anos, é por vezes utilizado no seu sentido próprio, mas também é muitas vezes usado para designar o chamado “menor de rua”. E então o termo é associado ao crime, à marginalidade. Ninguém trata as outras crianças desta maneira.

Na semana passada, este “problema” encheu os ecrãs de televisão e as primeiras páginas dos jornais, porque houve alguém que filmou um grupo de garotos a roubar turistas nas praias. Mas, em todos os debates transmitidos só se ouviam as opiniões dos turistas e das pessoas ricas que moram na zona. O facto de haver crianças morando nas ruas, não constitui um problema, o problema é eles incomodarem as pessoas!

Quanto a nós, claro que adoptamos uma atitude totalmente diferente no nosso projecto. A nossa maneira de agir permite-nos prestar atenção a cada criança. O projecto chama-se “Trupe da criança” e trabalhamos com crianças e adolescentes de 7 a 17 anos vivendo nas ruas. A maioria tenta fazer qualquer coisa para ganhar algum dinheiro. Aqui no Rio, há montes de miúdos à volta dos candeeiros, nas ruas, a pedir esmola, e alguns executam números artísticos que aprenderam sozinhos ou com outros amigos. Também há os que limpam os vidros dos carros e os que vendem rebuçados e doces. A maior parte destas crianças têm um lar e uma família, algumas vão à escola, mas a maioria passa o dia inteiro na rua. Um certo número anda na droga e até comete crimes. Mas estão sempre todos expostos a numerosos riscos e perigos.

A nossa equipa vai ter com as crianças da rua para conversar com elas, para as conhecer e para lhes propor alternativas que lhes permitam desenvolver os seus próprios talentos. Quando elas se implicam neste processo, convidamos as famílias para visitarem o projecto e estabelecemos um acordo com elas para os miúdos não voltarem para a rua. Proporcionamos aos jovens a possibilidade de praticar várias disciplinas artísticas (música, circo, teatro, capoeira, etc.) e fornecemos-lhes um certo apoio financeiro para compensar o que eles ganhavam na rua.

Há hoje cerca de 160 crianças participando neste projecto. Todos se sentem bem e não querem voltar à vida que tinham antes. Manifestam geralmente uma grande abertura para adquirirem as competências que lhes propomos e investem-se facilmente nas aulas, mas é difícil tirá-los da rua. Temos connosco muitas crianças, mas, na rua, há muitas, muitas mais."

Mariana G. e Eduardo S., Brasil

Nº 6

"Desde a criação do nosso grupinho de voluntários, recebemos constantemente novas adesões. Neste momento somos um grupo de 30 jovens muito dedicados, e temos todos o mesmo objectivo: combater a grande pobreza com todas as nossas forças. E sabemos do que falamos, já que a maioria dos membros do nosso grupo vem de meios pouco favorecidos, e isso faz-nos facilmente compreender que a pobreza não é obra do destino.

Quanto à nossa biblioteca ambulante, ficámos muito agradavelmente surpreendidos pelo modo como ela foi acolhida pelas crianças das ruas, tanto na capital como nos subúrbios. Ao começo, quisemos sondar os miúdos para nos pormos ao par dos gostos deles, visto a maioria ser muito pobre e alguns deles viverem a centenas de quilómetros da casa dos pais. Nos primeiros tempos, tínhamos mesmo que avançar ao ritmo das crianças, mas, com o correr do tempo, já começámos a poder impor-nos, porque perceberam que só queríamos o bem delas. Dado este nosso novo projecto, fomos obrigados a reestruturar o nosso grupo, dividindo-o em duas partes, consagrando-se a primeira às pequenas obras de saneamento realizadas em bairros insalubres da cidade, e a segunda, à biblioteca ambulante. Mas, em relação aos meios financeiros para a realização da biblioteca, as coisas não são lá muito fáceis. Para arranjarmos os documentos que utilizamos, obtivemos uma ajuda da autarquia a que o nosso bairro pertence; esses documentos, apesar de não serem muitos, são variados e ajudam-nos muito."

Jean Sylvain N., Camarões

Nº 7

A Aliança Mundial da Juventude é um agrupamento de jovens e de organizações para a juventude. Tem mais de um milhão de membros espalhados pelo mundo, que lutam pela dignidade e pelos direitos humanos, no âmbito das políticas elaboradas e discutidas nas Nações Unidas.

"Venho aqui para representar a Aliança Mundial da Juventude - Ásia - Pacífico. O dia de hoje também é importante para nós, pois vem lembrar-nos a nossa responsabilidade como cidadãos das Filipinas e como habitantes do mundo.

Além do mais, a Aliança reconhece a dignidade de cada pessoa. Acreditamos que a dignidade é intrínseca e essencial, que ela faz parte daquilo que somos, ela é bem nossa, e só nós podemos defini-la. A Aliança Mundial da Juventude, com o Movimento ATD Quarto Mundo, quer insistir, não só no nosso país, mas também no mundo inteiro, sobre o facto de que a dignidade de cada um é como o sangue que circula nas suas veias e faz parte da sua própria alma. É por isso que ninguém lha pode tirar - ninguém, seja ele um irmão, um vizinho, um colega ou um representante do governo.

Na sociedade actual, um desafio urgente ameaça a dignidade de todo o nosso povo. Milhares e milhares de filipinos vivem em buracos escuros, em ruas sujas, em abrigos de papelão ou em bairros de lata (favelas). Eles são para nós como irmãos mais pobres e representam a maior parte da nossa sociedade. É a sua pobreza que caracteriza o nosso país.

A Aliança sabe que chegou a hora de agir, que é agora que há que fazer alguma coisa. Todos nós, desde o sector público ao sector privado, cada um de nós, todos temos uma missão. E temos que a cumprir, porque devemos ajudar os nossos irmãos filipinos, e, sobretudo, porque se trata de seres humanos. E essa é a razão mais importante de todas.

Graças a grupos como os do ATD Quarto Mundo, da Aliança Mundial da Juventude, e de outras organizações que afirmam a dignidade de cada pessoa e que por ela lutam, temos esperança na realidade futura. Jovens e velhos, ricos e pobres, impliquemo-nos e invistamo-nos, juntamente com outras associações que trabalham para ajudar os que tiveram menos sorte que nós. Arranquemos, cada um de nós, com o nosso próprio pequeno projecto, que poderemos integrar no dia-a-dia das nossas vidas. E se só pudermos ajudar uma única pessoa, o benefício dessa ajuda será imenso. Comecemos por ajudar os outros nas nossas próprias casas.

Se fizermos isto, poderemos viver num mundo cheio de gente que se entreajuda, de gente que combate contra a imensa pobreza que nele existe, um mundo onde cada pessoa preservará o seu próprio valor e a sua dignidade. Um mundo onde todos serão iguais e viverão plenamente a sua humanidade, um mundo onde o valor de cada um será à medida dos seus direitos, os direitos de alguém que goza plenamente da sua dignidade."

Mensagem lida por Erika Tatad, no dia 17 de Outubro de 2004, Manila, Filipinas

Correio dos Leitores

"A minha maneira de marcar o dia 17 de Outubro, foi enviar doze fotocópias da Carta aos Amigos do Mundo e pedir a um certo número de pessoas conhecidas que a lessem. Tudo isso levou muito tempo e fez-me compreender e apreciar o trabalho que representa o facto de eu próprio poder receber um exemplar. De certa maneira, senti-me relativamente pouco interessado pelo número 59 da Carta, tendo estado demasiado ocupado a mandar cópias a outras pessoas. Mas apreciei grandemente a generosidade da companhia de telecomunicações que permitiu que um certo número de deficientes passassem a ser responsáveis de redes de telemóveis, em Libreville, no Gabão. Trata-se de um acto generoso, pouco habitual nas companhias de telecomunicações."

Reg M., Nova Zelândia

Os desenhos são de Hélène Perdereau que, há muito, os oferece gratuitamente ao Movimento ATD Quarto Mundo.

O "Fórum Permanente sobre a extrema pobreza no mundo" é uma rede de pessoas empenhadas no desenvolvimento de uma amizade e de um conhecimento mútuos, a partir do que vivem e nos ensinam as populações pobres e muito pobres: aquelas que acumulam várias precariedades ao nível da educação, do alojamento, do trabalho, da saúde e da cultura; aquelas que são as mais rejeitadas e as mais criticadas. O Fórum é um convite à adesão de todos os que aspiram a uma forte participação numa corrente de pensamento e de acção que tem como prioridade a recusa da miséria no mundo, declarando-a intolerável e provocando a construção de comunidades onde os mais pobres, munidos dos direitos fundamentais, possam assumir as suas responsabilidades em pé de igualdade e em parceria com os outros.

Esta corrente exprime-se através da Carta aos amigos do mundo que publica as mensagens dos nossos correspondentes três vezes por ano em françês, inglês, espanhol e português, graças ao trabalho de tradutores profissionais que oferecem os seus serviços gratuitamente. O Fórum Permanente é fomentado pelo Movimento ATD Quarto Mundo, OING (organização internacional não-governamental) com sede em Pierrelaye, França e permite a todos os que nele participam guardarem a sua identidade, não passando, por isso, a ser considerados membros de ATD Quarto Mundo.

O nosso endereço E-mail: forum.permanent@atd-quartmonde.org

Assinatura anual: $8 / €8 Assinatura de apoio: $10 / €10

© Movimento internacional ATD Quarto Mundo - tipografia ATD - Méry-sur-Oise - Novembro de 2004

Sítio realizado com SPIP